Amritsar – 15 e 16 de março.

Em direção ao norte da Índia, começamos uma nova aventura, pois decidimos fazer o deslocamento de trem, percorrendo 971,32km em 29h08min, contando com uma conexão de 5 horas e meia em Jaipur, pois não havia um trem direto para Amritsar. Compramos passagem em primeira classe leito, sem saber o isso significaria na prática.

Embarcamos em Jodhpur às 9h45min. O primeiro impacto foi a própria estação de trem. Há certo odor no ar. Vimos cocô espalhado pela linha do trem e ficamos nos perguntando por que alguém escolheria ir até ali para fazer suas necessidades e quando, pois a plataforma fica cheia de gente. Bem, estamos na Índia e havia muitas novidades para entender… Mais tarde, descobrimos que os sanitários dos vagões têm abertura diretamente para o solo e assim os dejetos vão direto aos trilhos. Logo, quando alguém os utiliza enquanto o trem está na estação, a sujeira fica por ali mesmo. Há avisos nos banheiros para evitar usá-los enquanto o trem permanece nas estações…

Sinta a estação de Jodhpur...

Sinta a estação de Jodhpur…

Neste trecho, que duraria 5h, a primeira classe é relativamente confortável: assentos tipo cama, acolchoadas, ar condicionado, travesseiro, cobertor, em uma cabina para seis pessoas… muito tranquilo. Na nossa cabina havia apenas mais um passageiro, um técnico de cricket (esporte nacional indiano) que iria viajar por 24h para visitar a família em Varanasi. O trem faria oito paradas e ele nos disse o nome de todas elas. Conversamos bastante, aprendemos algo mais sobre a Índia e ampliamos o nosso conceito de que o indiano é muito amável. Chegamos em Jaipur por volta das 14h30min.

Nesta conexão, o próximo trem sairia às 20h. Deixamos as malas em um guarda volumes e fomos para um shopping comer e comprar provisões enquanto aguardávamos a próxima partida. Quando retornamos à estação, fomos ao Guarda-Volumes para retirar nossa bagagem. Pagamos incríveis dezesseis rúpias – equivalentes a sessenta e quatro centavos de real… Deixamos uma gorjeta para o rapaz e ele parece ter ficado surpreso com o gesto.

No trecho seguinte, compramos passagens para o tipo Sleeper Class. Não sabíamos do que se tratava, mas se fosse parecido com o que conhecemos no deslocamento anterior, seria ótimo. Quando o trem chegou à estação, localizamos nosso vagão e já vimos a correria: gente se espremendo para entrar. Todos têm assentos marcados, mas o corre-corre é para acomodar as bagagens, que são colocadas debaixo do banco, ou onde não tiver uma perna.

A disposição dos assentos era parecida com a do vagão do primeiro trecho: seis pessoas por cabine + duas do outro lado do corredor. Mas não havia banco acolchoado, nem travesseiro, nem ar condicionado, etc… Havia muita poeira. A vantagem dos indianos é que normalmente eles ajeitam tudo com boa vontade. O espaço foi completo: seis pessoas que se revezaram bastante até certa hora da noite, quando todos deixam de assentar no banco mais baixo e vão ocupando suas camas acima, em formato de beliche e liberando o assento inferior para ser ocupado por uma só pessoa dormir.

Os indianos viajam bem acomodados em seus trens.

Os indianos viajam bem acomodados em seus trens.

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Disposição das camas no trem.

A viagem foi longa. Durante a noite esfriou bastante e o cobertor fez falta. Constatamos que as alternativas de refeições se limitavam a alguns vendedores ambulantes que apareciam em uma e outra estação ou ao lanche que cada um levava consigo, nosso caso. Chegamos ao destino por volta das 14h32min. Cansados e bem.

Amritsar foi fundada em 1577 por quatro gurus Sikhs. Aqui está localizado o Templo de Ouro, o mais sagrado da comunidade Sikh.

Templo Dourado.

Templo Dourado.

O termo ‘sikh’ significa, em língua punjabi, “discípulo forte e tenaz”. A doutrina básica do sikhismo consiste na crença em um único deus e nos ensinamentos de seus dez gurus, recolhidos no livro sagrado. Para o sikhismo, deus é eterno e sem forma, sendo impossível captá-lo em toda a sua essência. Ele foi o criador do mundo e dos seres humanos, deve ser alvo de devoção e de amor por parte de todas as pessoas.

Os homens envolvem seus cabelos com um turbante, enquanto que as mulheres utilizam um lenço. Aqueles que cortaram o cabelo ou a barba são chamados pelos ortodoxos de patit, isto, é “decaídos” ou “renegados”.

Assim, é possivel ver, por todos os lados, pessoas sem e com turbantes de várias cores e formas. Realmente algo muito diferente e bonito…

Fiéis sikhs e visitantes no Templo Dourado.

Fiéis sikhs e visitantes no Templo Dourado.

Ruela de Amritsar.

Ruela de Amritsar.

Ancião Sikh.

Ancião Sikh.

Até o próximo!!

Liana e Sidnei.

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Mcleod Ganj – 17 a 19 de março.

Continuando nossa viagem em direção norte, fomos ao encontro da Cordilheira Dhauladhar. Desta vez contratamos uma espécie de táxi numa viagem de 277,19km feita em 5h.

Mcleod Ganj, também chamada de Little Tibet, foi a cidade escolhida por Dalai Lama em 1959 para ser seu novo lar e sede do governo tibetano no exilio, mantendo as tradições religiosas e culturais dos tibetanos, após a China ter invadido seu país.

Em uma encosta de uma montanha, com frio de 14 graus, pudemos observar traços totalmente diferentes daqueles até então vistos por nós na Índia: habitantes com ‘olhos puxados’, outros dialetos, comida tibetana, além do fato de que a montanha faz parte da cadeia do Himalaia, a cordilheira mais imponente do mundo! Parecia realmente estarmos em outro país que não a Índia.

Mcleod Ganj, com a Cordilheira Dhauladhar ao fundo.

Mcleod Ganj, com a Cordilheira Dhauladhar ao fundo.

Aspecto de Mcleod Ganj. Cordilheira Dhauladhar ao fundo.

Aspecto de Mcleod Ganj. Cordilheira Dhauladhar ao fundo.

Encosta de Mcleod Ganj repleta de construções para hospedar turistas.

Encosta de Mcleod Ganj repleta de construções para hospedar turistas.

Basicamente a cidade tem duas ruas, lotada de estrangeiros andando entre as milhares lojas de artesanatos, vindos, na maior parte, da Caxemira [região ao norte da Índia, sob disputa entre este país, Paquistão e China].

Nossa estada em Mcleod Ganj foi para descanso, pois o Sidnei esteve com um desarranjo intestinal. Nada que o repouso forçado e uma alimentação tibetana menos picante não resolvessem.

Visitamos o Mosteiro Dalai Lama, na parte aberta aos turistas, com esperança de vê-lo numa cena do acaso. Encontramos apenas com centenas de monges budistas e paz.

Monge budista alimenta sua fé no Monastery Dalai Lama.

Monge budista alimenta sua fé no Monastery Dalai Lama.

Ao fundo, complexo do Monastério Dalai Lama.

Ao fundo, complexo do Monastério Dalai Lama.

Monja Budista.

Monja Budista.

A não ser que se busque conviver com os ensinamentos do Dalai ou aproveitar a grande oferta de produtos e serviços, a cidade não mereceria uma visita por parte de quem deseja algo original. Mesmo as caminhadas e expedições de montanha que são ofertadas ali, acreditamos estarem disponíveis em muitos outros lugares sem a conturbação que percebemos nesta cidade.

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Rishikesh – 20 a 22 de março.

Deixamos Mcleod Ganj na noite de terça-feira. Até Rishikesh, seriam quase 12 horas de ônibus para percorrer 460km em um ônibus bem caro para os padrões indianos: 800 Rúpias! (aproximadamente R$33,00). A viagem foi normal e condizente com o que se vê na Índia.

No início da manhã, desembarcamos em espaço aberto nos arredores de Rishikesh. Com exceção de alguns motoristas de Tuc-Tuc, só havia algumas pessoas lavando ônibus e caminhões, usando a água do rio ao lado. Logo percebemos os preços inflacionados por uma corrida de Tuc-Tuc até o hotel. Um de nós ficou tomando conta das malas e o outro foi andando até uma avenida mais movimentada para procurar alternativas mais em conta. No final, conseguimos melhorar só um pouquinho e seguimos pagando 150 Rúpias.

 Rishikesh  há vários templos e entidades religiosas que tornaram esta cidade um centro espiritual antigo muito procurado pelos seus famosos Ashrams – local onde as pessoas vão para promover a evolução espiritual, que podem conter sessões de meditação, ioga, filosofia, etc. Boa parte destas manifestações estão ligadas ao rio Ganges, que corta a cidade.

O local é agradável. O rio Ganges oferece vistas maravilhosas de suas águas esverdeadas contrastadas com várias partes da cidade e há várias pessoas que desfrutam do Ganges aqui, banhando-se, orando, descendo em algumas de suas corredeiras ou simplesmente contemplando-o.

Rio Ganges visto da janela do hotel que ficamos hospedados.

Rio Ganges visto da janela do hotel que ficamos hospedados.

A milenar relação dos Indianos com o Ganges pode estar ameaçada pela disposição de resíduos.

A milenar relação dos Indianos com o Ganges pode estar ameaçada pela disposição de resíduos não biodegradáveis.

Rio Ganges, ponte Lakshman Jhula, entre Rishikesh e

Rio Ganges, ponte Lakshman Jhula, em Rishikesh.

Rio Ganges, ponte Ram Jhula, em Rishikesh.

Rio Ganges, ponte Ram Jhula, em Rishikesh.

 

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Goa – 23 a 28 de março.

De Rishikesh, seguimos para Delhi de ônibus e, de lá, em um voo para Goa.

Goa, o menor estado indiano, fica no oeste do país, banhado pelo Mar da Arábia. A região foi colonizada em 1510 pelos portugueses. Desde então, a herança portuguesa disseminou vários hábitos que se juntaram ao modo de vida dos indianos ao longo dos tempos e o local atualmente tem características bem diferentes do restante da Índia. Na religião, há imagens de santos e do cristo, além da própria existência de igrejas católicas. Na comida, além dos frutos do mar, os temperos atestam a influência portuguesa. Também na arquitetura e no paisagismo podem ser percebidos traços lusitanos do século XVI. Mesmo no idioma é possível verificar que ainda há um pedacinho de Portugal por ali. Alguns nomes de bairros, ruas e restaurantes são escritos em bom português. No dia a dia, vimos que há cassinos e que a bebida é apreciada livremente aqui neste território, diferentemente de todos os demais que visitamos.

Praia de Cansaulin, Goa.

Praia de Cansaulin, Goa.

Nossa expectativa era aproveitar os últimos dias da viagem em um lugar mais calmo. Escolhemos Goa pela proximidade de Mumbai, pela existência de praias, mas foi uma decepção, pois o que é lindo para eles neste quesito, realmente não nos nos atraiu.  Mudamos de hotel 3 vezes, sempre procurando uma localização onde pudéssemos conhecer mais da região. No fim, ficamos 2 dias em Panjin, capital do estado.

Mercado em Panjin.

Mercado em Panjin.

Mercado em Panjin.

Mercado em Panjin.

Foram dias de descanso, pois não havia muito o que fazer…

Capela em estilo português.

Capela com influências portuguesas.

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