Que País é esse?

“É difícil amar a Índia. A Índia não é um país charmoso, a começar pela paisagem, logo esquecida por causa da presença humana que tanto se impõe em todos os lugares.
Quem não gosta dos homens não deve ir a Índia. A multidão é aqui a principal paisagem. Ela é o ator de todas as coisas. Sem dúvida, é por isto que, na literatura indiana de todos os tempos, os personagens são freqüentemente atraídos para o exílio e a solidão, a renúncia, a partida.

Que o visitante estrangeiro não se engaje nessa via de isolamento seria meu primeiro conselho. Que aceite a multidão, que se misture com ela, que nela se perca. Primeira condição do amor: contato.”

Jean-Claude Carriére, India: Um Olhar Amoroso.

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História

A primeira grande civilização da Índia esteve no seu ápice durante mil anos a partir de 2.500 a.C., no vale do Rio Indus. Suas grandes cidades eram Mohenjodaro e Harappa (agora no Paquistão) onde floresceu uma civilização complexa.

Invasores trouxeram seus deuses, suas tradições pecuárias e carnívoras, mas foram absorvidos em tal nível que no século oitavo a.C. a casta religiosa conseguiu restaurar sua supremacia. Isso consolidou-se no sistema de castas, cuja hierarquia foi mantida por regras rígidas.

O budismo surgiu por volta de 500 a.C. e trouxe um grande desafio ao hinduísmo bramânico: a condenação das castas.

Vários impérios apareceram e caíram após o fim dos mauryas, mas o mais impressionante foi o gupta, que durou do século quarto d.C. até 606. Foi uma fase dourada para a poesia, literatura e arte, com grandes trabalhos realizados.

A invasão dos hunos marcou o final dos guptas e o norte da Índia foi dividido em vários reinos hindus. O distante sul não foi afetado pela ascensão e queda de reinos no norte e o hinduísmo nesta região nunca foi ameaçado pelo budismo ou jainismo. A prosperidade do sul foi sustentada por laços comerciais antigos com egípcios, romanos e povos do Sudeste da Ásia.

Enquanto os reinos hindus governavam no sul e o budismo enfraquecia no norte, o poder muçulmano chegava à Índia, vindo do Oriente Médio. Em 1192, eles chegaram de forma mais forte e em 20 anos toda a bacia do Ganges estava sob seu controle. No entanto, os sultões muçulmanos eram um rebanho fraco e o islamismo não conseguiu penetrar no sul.

Os Marathas controlaram a Índia Central até que caíram sob o último poder imperial, o britânico.

O poder britânico na Índia inicialmente era exercido pela Companhia das Índias Orientais, que estabeleceu um entreposto comercial em 1612, em Surat, Gujarat.
Os britânicos não foram os primeiros ou os únicos poderes europeus na Índia no século XVII: os portugueses controlavam Goa desde 1510 (antes dos Mughals chegarem à Índia) e os franceses, dinamarqueses e holandeses também tiveram entrepostos de comércio.

Os britânicos viam a Índia basicamente como um local para fazer dinheiro e não se importavam com sua cultura, crenças ou religiões. Exploraram ferro e carvão, plantações de chá, café e algodão e começaram a construir a vasta rede ferroviária do país. Eles encorajavam a existência de terras ociosas, pois isso facilitava a administração e arrecadação de impostos, criando camponeses empobrecidos e sem terra.

A revolta indiana no norte do país, em 1857, levou ao fim da Companhia das Índias Orientais e a administração do país foi tardiamente passada ao Governo Britânico. Os 50 anos seguintes foram os anos dourados do império onde o sol nunca se põe.

A oposição ao domínio britânico começou na virada do século XX. O “Congresso”, que havia sido estabelecido para dar à Índia um determinado grau de autonomia, começou a querer mais. Fora do Congresso, pessoas mais radicais começaram a lutar pela independência por meios mais violentos.

Em 1915, Gandhi voltou da África do Sul, onde atuava como advogado, e se voltou para a independência, adotando a política de resistência passiva, ou satyagraha, em relação ao poder britânico. Dentro da Índia, no entanto, a grande minoria muçulmana começou a perceber que uma Índia independente seria dominada pelos hindus.

Diante do impasse político e crescente tensão, o vice-rei, Lorde Louis Mountbatten, relutantemente decidiu dividir o país e criar uma rápido projeto para a independência. Infelizmente, as duas regiões muçulmanas estavam em lados opostos do país – o que significava que a nova nação muçulmana do Paquistão teria uma metade oriental e uma ocidental, divididas por uma Índia hostil. Quando a linha divisória foi anunciada, aconteceu o maior êxodo humano da história, com os muçulmanos mudando-se para o Paquistão e os hindus e sikhs voltando à Índia. Durante a migração, aconteceram atos de violência bárbara. No fim deste caos, mais de 10 milhões de pessoas trocaram de lugar e mesmo as estimativas mais conservadoras calculam que foram mortas mais de 250.000 pessoas. Os estágios finais do processo de independência guardava ainda uma última grande tragédia: em 30 de janeiro de 1948, Gandhi, profundamente desapontado pela separação e pelo sangue derramado, foi assassinado por um fanático hindu.

Houve conflitos com o Paquistão em 1965 e 1971.

A próxima grande primeira-ministra do país foi a filha de Nehru, Indira Gandhi, eleita em 1966. Ela ainda é bastante querida, mas é lembrada por alguns por ter desrespeitado as bases democráticas do país ao declarar um estado de emergência, em 1975. A senhora Gandhi foi assassinada por seus guarda-costas sikhs em 1984 como represália à sua decisão de usar o exército indiano para expulsar radicais sikh armados do Templo Dourado de Amritsar.

O poder político da dinastia dos Gandhi continuou com seu filho, Rajiv, um piloto de avião sem nenhum interesse em política que foi levado ao poder. Rajiv trouxe novas políticas, mais pragmáticas, para o país. Investimento estrangeiro e o uso de tecnologia moderna foram encorajados, as restrições de importação foram abrandadas e muitas novas indústrias foram criadas. Estas medidas certamente projetaram a Índia nos anos 90 e tiraram o país do seu isolamento, mas fizeram pouco para estimular o gigantesco setor rural. Rajiv teve um destino parecido com o da mãe quando foi assassinado na campanha de Tamil Nadu por um partidário dos Tigres Tamil de Sri Lanka.

A Índia teve três líderes desde Rajiv Gandhi, todos determinados a arrastar a índia, contra a sua vontade, para a economia mundial global.

As reformas iniciadas durante a década de 90 resultaram em uma grande reestruturação econômica, prometendo uma Índia forte e ressurgente. Resultados demonstrados: o PIB cresceu 7,1% em 1996, enquanto a inflação diminuiu de 12% em 1991 para o atual 3,7%. Nos últimos três anos, o setor industrial registrou um crescimento saudável de um média de 7%. A globalização e a liberalização, aspectos chaves da nova ordem, asseguram o fato de que a Índia não mais se encontra isolada dos mercados internacionais. Dentro da Índia, há uma forte presença do setor privado e o investimento estrangeiro entrou em muitos setores inclusive no anterior monopólio estatal de infraestrutura.

O ambiente competitivo tem atuado como um desafio positivo na indústria doméstica, que não perdeu tempo em se estruturar para enfrentar os desafios do novo mercado, fabricando equipamentos de telecomunicações altamente sofisticados e softwares de computadores, tendo entrado em áreas de alta tecnologia como produção de energia nuclear. Bangalore, que é o núcleo de atividade dessa natureza, vem sendo conhecido como o Vale do Silício da Índia.

A Índia tem a sétima maior superfície do globo e só perde para a China em número de habitantes: vivem lá 1,03 bilhões de pessoas!

O território indiano é formado pelos Himalaias no extremo norte e nordeste, pela planície indo-gangética ao norte, a noroeste e a leste, e pelo planalto do Decão no centro. O Decão é flanqueado por duas cordilheiras: os Gates Ocidentais e os Gates Orientais.
A Índia conta com diversos grandes rios, como o Ganges, o Bramaputra, o Yamuna, Godavari, Kaveri, Narmada e Krishna. O país possui três arquipélagos: as Laquedivas, as ilhas Andamão e Nicobar e as Sundarbans  (no delta do Ganges).

Tantos povos, tantas línguas, tantos costumes, tantas crenças, alguns dizem que este país não existe.

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Referências:

http://gabrielbarros1d.no.comunidades.net/index.php?pagina=1376827286
indianembassy.org.br
www.indiaconsulatemg.org
http://www.emdiv.com.br/pt/mundo/asmaravilhas/1961-india-cultura-geografia-e-historia.html