Saída

Olá!!!

Mais uma viagem!!!! Que ótimo…

Vamos começar nossa jornada nesta quarta-feira, dia 27 de fevereiro. Seguiremos para Londres e chegaremos em Nova Delhi na madrugada do dia 1° de março.

Londres com média de 5°C e em Nova Delhi a temperatura está variando entre 14 e 26°C.

Ficaremos em Delhi, onde, dois dias depois da chegada, pegaremos um carro para rodar por 20 dias, começando pelas atrações do Triângulo Dourado e depois seguiremos para a região norte do país. Os últimos 10 dias iremos resolver por lá, mas há muitas opções para conhecer viajando de transporte público.

Não há um trajeto definido. Temos algumas intenções, mas na verdade não sabemos como será… vai depender dos ventos!

Acompanhem aqui conosco!

Grande abraço,

Sidnei e Liana.

Publicado em Uncategorized | 6 Comentários

Delhi – 1 e 2 de março.

Após 29 horas de deslocamento desde a nossa saída, desembarcamos às 2h40min do dia 1° de Março no Indira Gandhi National Airport, edificação moderna e bem estruturada que responde pelo movimento aeroviário da cidade de Nova Delhi.

Seguimos para o hotel que havíamos reservado. Trânsito tranqüilo e rápido na madrugada… De manhã, após um café exótico, fomos desvendar Nova Delhi à bordo de um transporte típico, um Tuc-Tuc. Acompanhados de um motorista solicito, logo cruzamos com um segundo Tuc-Tuc e o outro motorista nos fez encostar, falou algo para o nosso motorista, e ambos passaram a tentar nos convencer de que não deveríamos ir ao local desejado, pois havia uma aglomeração de mais de 2000 pessoas e que estaria impossibilitada a visitação. Esta é uma tentativa comum, com intuito de levar os turistas a outros lugares, onde os motoristas podem ser remunerados, como shoppings, restaurantes, lojas etc… Nossa resposta foi: “Obrigado, mas mesmo assim vamos a este lugar ver esta aglomeração e tirar algumas fotos!”. Tentaram um pouco mais, disseram que nós não estávamos entendendo, tentando passar a impressão que se seguíssemos adiante seria inseguro… Mantivemos nossa posição e o motorista desistiu de tentar nos convencer. Chegamos lá como se nada tivesse acontecido, encontrando a atração turística sem nenhum problema…

Em meio ao trânsito desorganizado aos nossos olhos, tudo flui sem problemas. Buzinam o tempo todo como sinal de alerta, seta, passagem, sair, chegar, virar, retornar, transitar na contramão, etc… De fato não ficamos surpresos, talvez por já termos vivenciado este estilo na Tailândia e Vietnã.

Fomos em direção à Velha Delhi, e nossa primeira parada foi no poderoso símbolo da nacionalidade indiana, o Red Fort, onde foi hasteada pela primeira vez a bandeira nacional quando a Índia se tornou independente em 1947.

Imagem

Red Fort

Imagem

Red Fort

Andamos também pelos arredores da rua Chandni Chowk, considerada o coração da Velha Delhi, onde convivem atividades religiosas e comerciais. Em meados de 1600 foi o mais elegante bulevar, ladeado de lojas e mansões grandiosas. Hoje, pode se encontrar de tudo: comida, tecidos, jóias, especiarias, pratarias, etc. Muito tumultuado, velho e encardido. Pelo caminho, várias ofertas de Sari e olhares em nossa direção. A tática foi: fique atento e tudo fluirá com tranqüilidade.

Imagem

Mercado nas ruelas de Chandni Chowk.

Mercado nas ruelas de Chandni Chowk.

Visitamos o India Gate, monumento em homenagem aos soldados indianos que morreram na Primeira Guerra Mundial e na Terceira Guerra Afegã.

India Gate

India Gate

No segundo dia, decidimos conhecer o metrô de Delhi, uma rede enorme. Entre uma e outra estação, percebemos que há detector de metais e equipamentos de raios-x e que todos os usuários passam por verificações antes de entrarem nas estações. Vimos que as mulheres sempre pareciam se dirigir para um ponto mais distante em uma das extremidades das plataformas. Não sabemos os motivos, mas elas viajam, preferencialmente, sempre no primeiro vagão… Apenas um vagão para as mulheres! Talvez esta definição seja para protegê-las, mas, aos nossos olhos, demonstra fortes traços de uma sociedade opressora.

Marmanjos de um lado...

Marmanjos de um lado…

Só pra elas...

Só pra elas…

A aventura de metrô nos levou até o Swaminarayan Akshardham, um grandioso e bem cuidado complexo religioso, maior templo hindu do mundo, construído com a ajuda de 3000 voluntários e 7000 artesãos e inaugurado em 2005. É grande a ênfase na segurança para quem deseja entrar: não é permitido portar câmeras fotográficas, celulares, MP3, Pen-drives ou comidas, por exemplo. Tudo é deixado em guarda-volumes e você é revistado intensamente antes de entrar.

O templo é ricamente detalhado e a composição dos arranjos internos e externos é magnífica. Apesar de não termos tirado fotos, vale muito ser visitado.

Acima dos muros do complexo do Swaminarayan Akshardham.

Acima dos muros do complexo do Swaminarayan Akshardham.

Caminhamos por uns 5km até outra atração, o Indraprastha Park, onde fomos fotografados por indianos que lá estavam, como se nós fôssemos algum tipo de atração. Retribuímos as fotos, fizemos outras e seguimos em frente, utilizando uma estação ferroviária para cruzar os trilhos de uma ferrovia.

Floricultor escoando sua produção...

Floricultor escoando sua produção…

Família indiana curtindo um parque na cidade.

Família indiana curtindo um parque na cidade.

Nossa última atração neste dia, a Tumba de Humayun, construída em 1565, exala serenidade e paz.

Monumento Tumba de Humayun.

Monumento Tumba de Humayun.

Tumba de Humayun.

Tumba de Humayun.

Tumba de Humayun.

Tumba de Humayun.

Imagem | Publicado em por | 2 Comentários

Álbum de fotos inaugurado.

Colocamos as fotos mais interessantes desde a nossa chegada na Índia.

Clique na guia ‘Fotos’ no menu acima.

Obrigado.

Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário

Agra – 03 e 04 de março.

Saímos de Delhi e fomos até as proximidades do aeroporto internacional para retirarmos o carro que havíamos reservado. Locadora bem simples, com escritório em área com ruas de terra e tudo mais. Atendimento 100%. Carrinho batidinho, amassadinho e tal… Considerando o trânsito indiano que vimos até agora, achamos mais interessante ter um carro mais velho e desgastado…

Dirigimos por algumas cidades menores, vimos aglomerações de pessoas em várias feiras ao ar livre. Passamos por áreas que aparentavam ser mais pobres, onde tinham animais, caminhões, bicicletas, tuc-tucs, tudo em movimento… Como já escrevemos, na Índia, oficialmente, os veículos trafegam pelo lado esquerdo, ou seja, mão inglesa. Mas não é bem assim na prática: sempre haverá algum veículo circulando ou pelo acostamento, ou mesmo no meio da pista, na contramão!

Depois de rodarmos uns 30km começou uma pista excepcionalmente boa e completamente vazia, com cobrança de pedágio equivalente a R$2,40.

???????????????????????????????

Yamuna Highway – Inacreditável estrada…

Logo passamos por um complexo esportivo gigantesco, um estádio bem moderno, o autódromo Buddh, onde acontecem as provas da fórmula 1, dentre outras fantásticas construções. Acreditamos que a estrada iria piorar logo depois deste complexo, mas não: foi assim até as proximidades de Agra, 180km depois, onde mais uma vez, nos deparamos com um enorme e desordenado movimento de animais e veículos de todos os tipos… Se não tivéssemos com o GPS funcionando, seria muito, muito difícil trafegar por aqui – valeu demais, Dante!

Agra é uma cidade que, aparentemente, funciona em função do turismo no Taj. É bastante conturbada, suja e com cheiro forte. Após nos instalarmos no hotel, soubemos que não seria mais possível entrar no Taj-Mahal naquele dia por causa do horário. Mas compramos os ingressos para o dia seguinte e fomos caminhar para ter uma idéia do que conseguiríamos ver nos arredores.

Parte de trás do Taj Mahal, na margem do Rio Yamuna.

Parte de trás do Taj Mahal, na margem do Rio Yamuna.

No dia seguinte, acordamos cedo e caminhamos até os portões da muralha que cerca o complexo do Taj-Mahal. Entramos por volta das 7h.

Por aqui, ouvimos uma história desta impressionante construção, que data do ano de 1643: o imperador mogul Shah Jahan decidiu erguer um monumento em homenagem à sua falecida esposa favorita. Ele teria contratado um renomado arquiteto e o incumbiu de criar algo sublime. Ao longo de 12 anos, cerca de 20 mil operários ergueram o que ainda hoje é descrito como “visão, sonho, poema, maravilha”. Depois de concluído, o imperador mandou chamar o seu projetista e o perguntou se ele seria capaz de projetar algo superior ao Taj Mahal. O tal projetista respondeu que sim. O imperador então mandou cegá-lo para garantir que nenhuma outra edificação superasse aquela criação. [Ouvimos e lemos também outras versões: Que há controvérsias até mesmo sobre o número de arquitetos responsáveis; quem foram; de onde vieram; alguém foi cegado com diamante; que além da visão, tiveram as mãos cortadas; etc.].

Portal que descortina o Taj Mahal.

Portal que descortina o Taj Mahal.

Eis o que sentimos:

Liana – Com certeza havia uma expectativa imensa para conhecer este monumento. Na noite anterior, quando andávamos pelos arredores do Taj, foi possível visualizá-lo pelos fundos e logo pensei: não é tão impressionante assim. No dia seguinte, quando nos aproximamos do portão que dá acesso ao monumento, foi possível vê-lo ao fundo, quando parei para registrar a imagem. Esta imagem daquele ponto já surpreendia. Neste momento, um turista que saía me disse: “Entre. Lá dentro, ele é maior ainda…”. Quando efetivamente cruzei o portão, não pude conter as lágrimas, o silencio inundou minha alma me deixando totalmente inerte diante daquela magnífica e deslumbrante obra. Definitivamente, até os momentos atuais, nada me impressionou e emocionou tanto quanto aquela visão. Entre o vai e vem de turistas, fiquei parada, apenas contemplando e agradecendo pela oportunidade de presenciar tamanha genialidade e capacidade do ser humano: primeiro pelo brilhantismo dos arquitetos e de todos os operários; e segundo pela expressão de amor que o monumento representa.

Fomos clicados por um Tailandês...

Fomos clicados por um Tailandês…

Sidnei – Pude ver uma porção da construção do Taj pelo portal da passagem que leva aos jardins. Havia algumas pessoas na frente, tudo tranqüilo e não dei muita bola. Percebi que seria somente passar pelo portal e eu teria a visão completa da edificação revestida de mármores brancos que se mostrava interessante. Porém depois de passar pelo portal, entrar nos jardins e captar a imagem do Taj Mahal, do chão coberto de vegetação e do céu azul, confesso que me emocionei. Não esperava nenhum impacto, mas foi isso que aconteceu. Foi surpreendente. Não pude deixar de perceber alguns detalhes que valorizam bastante a surpresa de quem adentra no complexo e se depara com o conjunto de contrastes arrebatadores. O(s) projetista(s) mandou(aram) muito bem! Primeiro, porque ele(s) colocou(aram) as costas de edificação na margem plana de um rio mais ou menos largo. O terreno onde o monumento foi erguido é elevado, criando um ângulo positivo à partir de qualquer outro local que se olhe para a edificação, acentuando a impressão de seu tamanho, pois estará acima da linha do horizonte. A cor branca cria um contraste fabuloso com o céu azul. Finalmente, os jardins são longos, rasos e contêm espelhos d’água em algumas partes, fazendo com que a perspectiva geral favoreça que os olhos do observador se dirijam para a construção grandiosa.

Eis o que vimos por lá:

Magnífico.

Magnífico.

Os indianos prestigiam bastante sua maior maravilha.

Os indianos prestigiam bastante sua maior maravilha.

Taj Mahal visto do Parque

Taj Mahal visto do Parque Mehtab Bagh.

Agra Fort

Imponentes fortificações de arenito vermelho, o Agra Fort é uma cidade murada que ocupa o topo de uma colina, na parte mais alta da cidade de Agra. Construído entre 1565 e 1573, abriga vários palacetes e áreas que serviam de residências reais.

Agra Fort.

Agra Fort.

Agra Fort.

Agra Fort.

Publicado em Uncategorized | 1 Comentário

Jaipur – 5 a 9 de março.

Estávamos deixando o hotel em Agra. Fomos pegar o carro no estacionamento e percebemos que o para-brisa estava trincado. Falamos com a administração do hotel e não quiseram assumir nada. Deixamos o carro no mesmo lugar e enquanto a Liana ficou tomando providências no hotel, junto ao carro, Sidnei foi até a polícia para registrar o fato e ter um relatório oficial. No departamento de polícia fomos muito bem tratados, recebemos nossos papéis oficiais e iniciamos nosso deslocamento só duas horas depois.

A estrada, ainda com cobrança de pedágio, já era do tipo normal. Alguns carros rodando na contramão de vez em quando, aglomerações, etc….

blog-11-marIMG_7086

Trânsito normal na saída de Agra.

Estrada cheia...

Estrada cheia…

No caminho, paramos em um restaurante com a cozinha à mostra. A Liana não se sentiu à vontade com o que ela via. Ela explicou que estaríamos nos arriscando se comêssemos ali por causa de bactérias que poderiam nos fazer mal, etc. Eu mandei um rango muito bom. Claro, fiquei torcendo pra não acontecer nada comigo, pois eu iria ouvir bastante se passasse mal…

Segundo a Liana, a cozinha das bactérias.

Segundo a Liana, a cozinha das bactérias.

Algum tempo depois, alcançamos Fatherpur Sikri, ‘cidade fantasma’, fundada em 1571, mistura estilos hindu e islâmico e foi a capital mogul por 14 anos. Foi abandonada, segundo a lenda, devido a falta d’água.

Tumbas em Fatehpur.

Tumbas em Fatehpur.

Buland Darwaza. Portal erguido em 1573.

Buland Darwaza. Portal erguido em 1573.

Deixamos Fatehpur por volta das 16h40min em direção à Jaipur, uns 180km adiante. Vimos o sol se por exatamente na nossa frente.

Final de tarde na estrada entre Agra e Jaipur.

Final de tarde na estrada entre Agra e Jaipur.

Anoiteceu. Os faróis do nosso carro estavam bastante ruins. Estava escuro e a maioria dos carros vinha em sentido contrário com faróis altos. Faltavam ainda 70km para nosso destino quando um animal cruzou a estrada bem na nossa frente. Freamos, mas acertamos uma vaca. Conseguimos parar nosso carro fora da estrada e ainda ouvimos quando um segundo carro também bateu no animal. Não nos machucamos. Rapidamente apareceram algumas pessoas que nos cercaram. Algumas outras foram em direção ao segundo carro, que logo arrancou. Pararam uns três veículos e eles pareciam avisar os outros motoristas do jeito deles. No grupo de pessoas à nossa volta ninguém demonstrou falar inglês. Falamos “Polícia” e uns dois deles pegaram celulares, conversando entre si, e nós entendemos que alguém ligou para a polícia. Ligamos nosso carro e o colocamos um pouco mais distante da rodovia, pois havia parado mais uns carros e pessoas e estávamos em uma posição não muito segura. Em uns 10 minutos chegou um carro da empresa que mantém a rodovia. Foram sinalizar a via e não me lembro de terem perguntado nada pra nós. Mais alguns minutos, a polícia apareceu. Conversamos com os policiais e perguntaram o que eles poderiam fazer por nós. Explicamos que o carro não era nosso e que necessitaríamos de informação sobre quais procedimentos deveríamos fazer em virtude do acidente. Eles nos disseram que deveríamos acompanhá-los. Tiramos tudo de dentro do carro, inclusive nossas malas e subimos no jipe da polícia. Nem rodamos, paramos novamente: era um policial que estava caminhando e nos disse que nós matamos a vaca. Ficamos preocupados, pois já sabíamos que este animal é importante para os indianos. Perguntamos ao grupo de policiais se o fato da vaca ter morrido traria consequências para nós. Eles disseram que não precisávamos nos preocupar, que não haveria problema. Fomos então levados para o departamento de polícia, numa cidade a pouco mais de 2km à frente. Já no prédio da polícia, fomos recebidos com cordialidade e curiosidade. Explicamos mais uma vez o ocorrido, perguntamos quais as providências de praxe e dissemos que gostaríamos de entrar em contato com a locadora do veículo para informar o acidente. O policial-chefe retirou seu próprio telefone celular, contatou o nosso hotel em Jaipur e solicitou um orçamento para que eles providenciassem transporte dali até o hotel. Fez também a ligação para a Locadora em Delhi e informamos o ocorrido. A ligação caía sempre e, no final das contas, o próprio chefe de polícia conversou com o escritório da locadora e nos disse que o veículo acidentado ficaria no pátio deste departamento policial à disposição da companhia locadora. Deixamos cópias de passaporte e habilitação, hotel de destino, documentos e chave do veículo com eles. Tão logo chegaram o pessoal do hotel de Jaipur, assinamos alguns papéis no idioma indiano, outros em inglês, finalizamos as formalidades e deixamos o departamento de polícia, vendo que nosso carro já havia sido empurrado até lá!

Chegamos ao hotel por volta das 23h. Estávamos tensos e cansados. Dormimos como pedra.

No dia seguinte, acordamos tarde. Ficamos o resto da manhã redigindo e-mails para a locadora e seguradora, além de rever arquivos para demais providências.

Saímos no início da tarde para visitar o City Palace Museum e Jantar Mantar, ambos monumentos que ficam na velha Jaipur, considerada a cidade rosada devido as cores das construções.

City Palace.

City Palace.

City Palace.

Riddhi-Siddhi Pol, City Palace em Jaipur.

Jantar Mantar é um observatório, construído entre 1728 e 1734 pelo entusiasta astronômico Sawai Jai Singh II. Este observatório foi descrito como a paisagem de pedra mais realista e lógica.

Ao final da visita, fomos de volta ao encontro do pessoal do hotel e eles nos disseram que a polícia havia aparecido no hotel e que queriam falar conosco novamente. Seguimos para o hotel e aguardamos os policiais.

Logo retornaram. Eram quatro: três que nós já havíamos conversado na noite anterior e mais uma mulher, pois percebemos que também usava o uniforme sob um manto.

Equipe de policiais que rodou 70km para nos encontrar no hotel...

Equipe de policiais que rodou 70km para nos encontrar no hotel…

Eles nos disseram que precisavam coletar mais dados sobre o acidente, pois teriam que iniciar um processo, que nós seríamos levados à Corte, que haveria o pagamento de uma multa e que a habilitação e passaporte do motorista iriam ficar retidos até o encerramento do processo, o que, segundo eles aconteceria no dia seguinte.

Ficamos intrigados com o fato dos mesmos policiais, que na noite anterior havia nos liberado, algumas horas depois se deslocarem 70km até o nosso encontro e dizerem que necessitariam fazer algo diferente e mais completo. Depois de ouvirmos as explicações, pensamos em duas hipóteses: 1) O caso sofreu repercussão e perceberam que não seguiram o protocolo. Então foram ao nosso encontro para completar as formalidades que não foram atendidas na ocasião do acidente; ou 2) Estariam aumentando a demanda para nos apresentar uma situação mais grave com o intuito de obter algum tipo de vantagem.

Enquanto conversavam em indiano entre eles, nós fazíamos nossos planos em português, de forma discreta, com o intuito de evitar cair em alguma cilada, caso houvesse uma em andamento. Numa destas conversas defensivas, estava me preparando para usar o argumento de que o passaporte pertence à República Federativa do Brasil e que eu necessitaria ligar para a embaixada brasileira em Delhi para obter informação se deveríamos ou não entregar o passaporte, pois não queríamos fazer nada errado. Saí discretamente e falei com a embaixada por um celular que o pessoal do hotel nos emprestou. Consegui falar e fui devidamente instruído. A Liana sinalizou pra mim e eu entendi que o policial quis saber com quem eu estava falando. Ao término da ligação, voltei e me sentei junto ao grupo. Logo o policial me perguntou o que o pessoal da Embaixada havia dito. Procurei ser bastante diplomático na minha resposta, mas tentei não deixar dúvidas que eu havia de fato falado com a embaixada, que havia recebido informações oficiais e que eu deveria manter a embaixada informada sobre o caso. No decorrer do encontro, eles tomaram nota de todos os fatos que envolveram o acidente. Assinamos outros formulários e ao final de umas três horas foi produzido um volume considerável de documentos – quase todos eles manuscritos! Em um desses documentos um dos donos do hotel, o Sr. Kush, assinou um termo de responsabilidade por nossa presença na audiência!

Na manhã seguinte fomos acompanhados pelo Sr. Kush novamente até Dausa, a cidade onde ocorrera o acidente. Na hora marcada, chegamos ao departamento de polícia sem saber se seria lá a audiência. Fomos muito bem recebidos e aguardamos bastante. Enquanto isso, um ou outro policial conversava conosco, oferecia alguma coisa, etc… Todos muito solícitos, profissionais e atenciosos.

Mas ainda não estávamos seguros do rumo que tudo aquilo poderia tomar…

Desde a reunião do dia anterior, eles falaram que haveria pagamento de uma multa e que esta multa seria entre quinhentos e mil Rúpias, o que equivale a aproximadamente 20 a 40 Reais e que este valor seria arbitrado por alguém que ainda não entendíamos quem seria. Quando um policial nos perguntou sobre nossos salários no Brasil eu acreditei que ele estaria interessado, de fato, em algum tipo de benefício em troca de alguma liberação ou algo do gênero. Neste momento, o celular dele tocou e desviamos o assunto…

Por volta das 11h fomos encaminhados até a Corte, onde ficamos até as 17h. Foram horas apreensivas, pois um processo foi aberto e teríamos que responder diante de um Juiz. O fato de não compreendermos a língua, fazia com que dependêssemos da cooperação de outras pessoas para tradução, desde perguntas simples até no preenchimento de diversas declarações e requerimentos. No papel de tradutores, tivemos o pessoal do hotel, Kush e Roat, o chefe do departamento de polícia, entre outros interessados em nos ajudar.

Um advogado foi constituído para nos representar – só soubemos disso por outras pessoas, pois mal nos falamos. Na medida em que o processo avançava, nos apresentávamos diante da corte e havia um papel para redigir ou assinar. Falamos com o juiz duas vezes: ele se dirigia a nós em inglês e o fazia de forma objetiva e cordial, nos transmitindo muita segurança.

Ao longo do tempo, percebemos que parecia ser incomum dois ‘gringos’ sendo julgados ali naquela cidade pequena. Estávamos sendo o fato curioso daquele dia. A cada hora uma ou outra pessoa queria nos fotografar e muitas vezes a Liana era o centro das atenções, talvez pelo visual diferente… No final, até uma rede de televisão local apareceu para entrevista, mas o foco das perguntas foi o tratamento que a polícia nos deu.

Finalmente foi estipulada a multa de menor valor. Fizemos o pagamento mediante recibo e recebemos os documentos retidos. Pedimos para conversar com o magistrado. Ele então nos recebeu em sua sala, de forma gentil e cortês, quando mais uma vez tivemos a oportunidade de agradecer e nos desculparmos pela ofensa, considerando que houve a morte de uma vaca.

Acreditamos que equipe de polícia fez um trabalho bem diferente da rotina habitual. Porém a equipe nos acompanhou por quase todo o período, prestando informações e nos dispensando todo o suporte necessário.

Enfim, caso encerrado! Retornamos ao hotel por volta das 20h sem palavras para agradecer aos donos do hotel, que nos deram toda assessoria, além de ficarem como os nossos tutores por todo o dia.

Roat e Kush: verdadeiros anfitriões. Nunca fomos tão bem recebidos em um hotel.

Roat e Kush: verdadeiros anfitriões. Nunca fomos tão bem recebidos em um hotel.

No dia 08, finalmente descansados, fomos explorar Jairpur fora do centro. Passamos o dia visitando alguns Fortes, que foram construídos em uma cadeia de montanhas próximas à cidade. Notáveis fortalezas como Nahargarh e Jaigarh Fort, que protegiam Amber (cidadela em 1727) e a nova capital, Jaipur.

Defesas do Jaigarh Fort e, abaixo, o Forte e Palácio de Amber.

Defesas do Jaigarh Fort. Em segundo plano, o Forte e Palácio de Amber.

Fortaleza de Amber. Erquida em 1592, sofreu acréscimos de outras edificações entre 1621 e 1667.

Fortaleza de Amber. Erquida em 1592, sofreu acréscimos de outras edificações entre 1621 e 1667.

Cidade de Jaipur, vista do Jaigarh (Forte da Vitória).

Cidade de Jaipur, vista do Jaigarh (Forte da Vitória).

Lago Man Sagar com Jal Mahal (Palácio da Água), construído em meados do século 18.

Lago Man Sagar com o Jal Mahal (Palácio da Água), construído em meados do século 18.

Detalhe do Jal Mahal imerso no lago Man Sagar.

Detalhe do Jal Mahal imerso no lago Man Sagar.

Publicado em Uncategorized | 8 Comentários

Udaipur – 09 a 11 de março.

 

A locadora de veículos nos informou que não haveria outro carro para os próximos dias. (Por que seria? rs… rs…) Decidimos não aguardar mais por uma resposta e continuar nossa viagem utilizando outros meios de transporte…

Estávamos querendo conhecer Udaipur e dentre as opções de transporte disponíveis, pagamos um pouco mais para ganhar algum tempo e seguimos em algo parecido com um táxi.

Saímos de Jaipur por volta das 10h. Seriam uns 400km pela frente, passando por um ou dois lugares de interesse pelo caminho.

Logo nos primeiros quilômetros de estrada, um pneu furado, o que não poderia faltar…

Sem triângulo, sem alerta ligado - normal... Fiquei com um olho no pneu e outro nos carros.

Sem triângulo, sem alerta ligado – normal… Fiquei com um olho no pneu e outro nos carros.

Passamos por uma cidade chamada Pushkar, famosa pelo mercado de animais que acontece entre os meses de outubro e novembro. É uma cidadela com ruelas de mercado local e Ghats, espécie de represa, onde devotos hindus se banham para lavar os pecados, pois acreditam que as águas são sagradas. Até o momento foi a cidade que havia mais vacas por metro quadrado. Ficamos apenas uma hora, tempo suficiente para fotos e almoço.

Lago Pushkar.

Lago Pushkar.

Devoto Hindu após se banhar nas águas do Ghats.

Devoto Hindu após se banhar nas águas do Ghats.

Camelos nas ruelas de Pushkar.

Camelos nas ruelas de Pushkar.

Passamos próximo a cidade de Ajmer, que ganhou fama por causa do Dargah Sharif, o santuário islâmico mais sagrado da Índia.

Cidade de Ajmer.

Cidade de Ajmer.

De volta ao carro, continuávamos a observar o nosso motorista seguir em frente do jeito indiano: buzinas, ocupando duas pistas, contramão, etc. Apesar de ser um pouco tenso e desconfortável pra gente, o carinha não bateu em nada. Ponto pra ele…

Por volta das 20h estávamos a 30km do nosso destino e chegamos em um ponto que a estrada estava fechada. Soubemos que naquele dia era comemoração do aniversário de Shiva e o seu maior templo era exatamente à frente de nós. Tivemos que retornar e pegar um desvio. Chegamos ao hotel por volta das 21h30min cansados, pois foram 11h de viagem.

Ficamos no Chandra Niwas Guest House, onde fomos gentilmente recebidos pela família que o administra. A opção era comer algo e cama para recarregar as baterias para o dia seguinte e o filho do casal, Samvit nos levou em seu próprio carro para jantarmos em um ótimo restaurante.

Pela manha, café Indiano com a família. O pão do tipo Poori e um cozido de batatas apimentado. Para beber, o famoso Massala Chai, uma combinação de leite – erva semelhante ao chá verde -, cardamomo e gengibre. O Chai representa para o indiano o que o café representa para os brasileiros, acrescido de um ou outro ritual por aqui. A bebida é deliciosa. Viramos fãs incondicionais!

O dia foi tranqüilo. Udaipur, diferente das demais cidades indianas visitadas por nós até o momento, tem ruas largas e o transito bem menos confuso. Nos arredores da cidade existem 9 lagos artificiais que acrescentam certo charme à cidade, além dos muitos templos.

Lago Fateh Sagar.

Lago Fateh Sagar.

Lago Fateh Sagar.

Lago Fateh Sagar.

Lago Pichola com o City Palace ao fundo.

Lago Pichola com o City Palace ao fundo.

Vista da cidade de Udaipur à partir do Palácio Moon Soon.

Vista da cidade de Udaipur à partir do Palácio Moon Soon.

Foram dois dias agradáveis, sem correria.

Despedimo-nos da grandiosa hospitalidade de Samvit e Sourabh, em Udaipur.

Despedimo-nos da grandiosa hospitalidade de Samvit e Sourabh, em Udaipur.

Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário

Jodhpur – 12 a 14 de março.

De volta à estrada, decidimos ir até Jodhpur, conhecida também como cidade azul. Desta vez nos aventuramos em um ônibus nada parecido com aqueles que temos no Brasil. Neste tipo indiano você viaja em poltronas ou completamente deitado em uma maca com bom conforto. Porém, há um segundo ‘andar’ só de camas…

Viagem em um confortável buzu indiano.

Viagem em um confortável buzu indiano.

As passagens são vendidas pra todo mundo com antecedência. Compramos as nossas e recebemos os números das camas que iríamos ocupar. Tudo muito bonitinho… Mas é bom ficar preparado, pois alguém se sentará junto com você: é que ao longo da viagem pessoas vão saindo, outras embarcando e o saldo de lugares fica negativo. Então, alguns viajariam em pé… Mas aí, com razão, estes vão se acomodando na beirada da sua cama, caso você não estiver precisando daquele espaço naquele momento. Durante a jornada, pode acontecer de você ficar cansado de permanecer em uma só posição e querer mudar. Primeiro, olhe discretamente para a parte da cama para a qual você gostaria de se deslocar. Se tiver alguém a ocupando, basta dar uma resmungada seguida de um empurrãozinho que a pessoa sai dali e pode até trocar com você, ocupando o espaço que você acabou de deixar livre, sem constrangimento. Tudo se ajeita… Muito bom!

Foram 333,87km em 7 horas com uma parada. Chegamos ao destino por volta das 14h33min, quando o motorista estacionou o ônibus na beira da estrada. De repente estava o cobrador apontando que deveríamos descer. A certeza que ali era Jodhpur foi confirmada pela indicação do nosso GPS.

Logo vieram vários motoristas de Rickshaw (tuc-tuc) oferecendo transporte. Quando eles não entendem o nome do destino, basta dar o número do telefone do local que eles ligam o coletam as informações corretas. Por vezes, eles também dizem conhecer o destino, a gente confirma o preço e embarca. Aí eles  saem de perto da gente para perguntar para outro colega como chegar ao local. Se ninguém souber, todos eles chegam perto de nós e pedem mais detalhes… No final, alguém sempre sabe como chegar e tudo fica resolvido…

No deslocamento deste dia, o motorista não estava sabendo como chegar, mesmo depois de perguntar para outros colegas. Como já tínhamos o endereço no GPS, foi só mostrá-lo para ele e tudo resolvido.

O carinha achou o maior barato ver o carrinho seguir na tela do GPS enquanto pilotava...

O carinha achou o maior barato ver o carrinho seguir na tela do GPS enquanto pilotava…

Ficamos hospedados novamente em um Guest House, o Jagat Villas, muito aconchegante. Logo quando chegamos, estávamos com muita fome e os proprietários providenciaram um maravilhoso café tipo indiano!!!

Após umas duas horas já estávamos na rua. Fomos até o Sardar Market, mercado onde turistas e locais fazem suas compras. Pudemos fotografar a cara da Índia.

Sadar Market.

Sardar Market.

Sadar Market.

Sardar Market.

Sadar Market.

Sardar Market.

Sadar Market.

Sardar Market.

Sadar Market.

Sardar Market.

blog-18-marIMG_2880a

Sardar Market.

Sadar Market.

Sardar Market.

Sadar Market.

Sardar Market.

Sadar Market.

Sardar Market.

Sadar Market.

Sardar Market.

Na manhã do dia 13 fomos visitar o Mehrangarh Fort. Erguido em 1459, é considerado o forte mais majestoso do Rajastão (estado indiano), pois desponta acima de uma rocha de 125m, descrita como “a criação dos anjos, fadas e gigantes”.

Ali ficamos quase todo o dia, pois foi uma visita lenta e contemplativa sob um calor intenso.

Ao fundo, pudemos fotografar o que chamam de cidade azul, realmente um contraste…

Cidade Azul, vista do Mehrangarh Fort.

Cidade Azul, vista do Mehrangarh Fort.

Cidade Azul, vista do Mehrangarh Fort.

Cidade Azul, vista do Mehrangarh Fort.

Cidade Azul, vista do Mehrangarh Fort.

Cidade Azul, vista do Mehrangarh Fort.

Cidade Azul, vista do Mehrangarh Fort.

Cidade Azul, vista do Mehrangarh Fort.

Ao alto, Mehrangarh Fort. Abaixo, ao fundo, parte da Cidade Azul.

No alto, Mehrangarh Fort. Abaixo, ao fundo, parte da Cidade Azul.

Interior do Mehrangarh Fort.

Interior do Mehrangarh Fort.

Interior do Mehrangarh Fort.

Interior do Mehrangarh Fort.

Abraços e até o próximo relato!

Publicado em Uncategorized | 6 Comentários